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terça-feira, 2 de abril de 2013

A fonte da juventude


A fonte da juventude 
Por ser amor, Deus é sempre jovem
No dia 8 de dezembro de 1965, no final do Concílio Vaticano II, entre as mensagens dirigidas a vários segmentos da sociedade, o Papa Paulo VI pensou também na juventude: «É a vocês, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem. São vocês que tomarão o facho das mãos de seus antepassados e viverão no mundo, nas transformações mais gigantescas de sua história. São vocês que, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento de seus pais e mestres, constituirão a sociedade de amanhã: vocês se salvarão ou perecerão com ela. Em nome de Deus e de seu Filho Jesus os exorto a alargar seus corações a todo o mundo, a escutar o apelo de seus irmãos e a pôr corajosamente as suas energias juvenis ao serviço deles. Lutem contra o egoísmo. Recusem-se a fomentar os instintos da violência e do ódio, que geram as guerras e o seu cortejo de misérias. Sejam generosos, puros, respeitadores, sinceros. Construam com entusiasmo um mundo melhor que o dos seus antepassados!».

Não sei se, felizmente ou infelizmente, entre os jovens daquela época estava também eu. A minha dúvida nasce do exame de consciência que as palavras de Paulo VI me obrigam a fazer. Ante a situação que descortino em minha frente, posso afirmar que trabalhei para “construir um mundo melhor que o de meus antepassados”? Três anos depois, em 1968, inúmeros países assistiram a um levante geral da juventude. No afã de exigir mudanças – que eram e continuam sendo necessárias – muitos jovens questionaram princípios e valores e imprimiram um novo rumo à humanidade. Parece-me difícil avaliar imparcial e corretamente esse “novo rumo”, a meu ver uma verdadeira mudança de época cultural na história. Mas, já que perguntar não ofende, pode-se dizer, em sã consciência, que hoje há mais respeito, mais tolerância, mais justiça, mais paz, mais fraternidade do que em 1968? Para mim, uma coisa é certa: sem conversão pessoal, o “mundo que queremos” não passa de palavras bonitas... 

Muito oportuna, portanto, a decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em dar à Campanha da Fraternidade de 2013 como tema a juventude e como lema a generosidade de Isaías: “Eis-me aqui! Envia-me!” (Is 6,8). Por ser amor, Deus é sempre jovem. Por isso, quanto mais perto dele alguém se mantiver pelo amor, mais bela, profunda e duradoura será a sua juventude. Mais do que uma fase da vida, ela é um estado de espírito. Há jovens que são velhos. Deixando-se arrastar pelo materialismo, tentam preencher seu vazio espiritual e psíquico com miragens que lhes tiram a esperança, as forças e o rumo. «Onde estão os nossos jovens?», foi a pergunta que muitos se fizeram no dia 27 de janeiro de 2013, após o incêndio numa boate de Santa Maria, que vitimou quase 250 deles. 

Para os jovens que acreditam que Deus tem sobre eles e sobre a humanidade um projeto de amor, o caminho a seguir foi magistralmente traçado há dois mil anos pelo apóstolo João, o discípulo que mais entendeu o coração de Jesus: «Eu lhes escrevo, jovens, porque vocês são fortes, porque a Palavra de Deus permanece em vocês e vocês venceram o Maligno. Não amem o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que o mundo oferece – a satisfação dos instintos, a ânsia de brilhar e o apego à riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. O mundo passa com seus desejos insaciáveis. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre» (1Jo 2,14-17). 

É desde a mais remota antiguidade que se procura a fonte da juventude, a fonte da alegria, a fonte da beleza, a fonte do amor, a fonte da vida. Graças a Deus, ela existe: foi aberta no domingo da Páscoa. «Fazendo-se pecado» (2Cor 5,21), Jesus tirou a força do pecado. «Fazendo-se maldição» (Gl 3,13), transformou a maldição em bênção. Se só se salva o que se assume, é preciso morrer para viver. Quanto mais morte, mais vida: «Quem pretende salvar a vida, vai perdê-la. Mas quem a perde por causa de mim, vai encontrá-la» (Mt 16,25). Se «uma só coisa é necessária», o que importa é «escolher sempre a melhor parte» (Lc 10,42). E ela pertence a quem repete com a vida: “Eis-me aqui! Envia-me!” (Is 6,8). Somente assim poder-se-á «construir um mundo melhor que o dos antepassados!». Inútil tentar outro caminho! 


Dom Redovino Rizzardo, cs 
Bispo de Dourados (MS)

Fonte: Canção Nova

Oração a São Francisco de Paula

Oração a São Francisco de Paula
Glorioso e dileto filho de Nosso Senhor, São Francisco de Paula, vós que arrebanhastes inumeráveis almas por vossa vida exemplar, santas virtudes, que diante da recusa dos barqueiros de vos transportar para o outro lado do estreito de Messina estendestes vosso velho manto sobre as águas e assim velejastes para o outro lado do porto, atravessai-me também neste vale de lágrimas e pecados para o Céu, através de vossa imensa santidade. Dileto filho de Nosso Senhor, rogai por nós e pelas santas vocações sacerdotais. Amém.

Liturgia Diária


Primeira leitura (Atos dos Apóstolos 2,36-41)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

No dia de Pentecostes, Pedro disse aos judeus: 36“Que todo povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”.
37Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?” 38Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. 40Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles. 

- Palavra do Senhor. 
- Graças a Deus.
 
Salmo (Salmos 32)
— Transborda em toda a terra a bondade do Senhor.
— Transborda em toda a terra a bondade do Senhor.

— Reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.
— Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria. 
— No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
 
Evangelho (João 20,11-18)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito. 

- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor.
Fonte: Canção Nova

São Francisco de Paula

São Francisco de Paula
Nasceu na Calábria, Itália, em 1.416, foi o mais jovem fundador de Ordem religiosa. Aos 13 anos de idade vestiu o hábito franciscano e a fama de santidade e milagres atraiu muitos jovens desejosos de seguir seu exemplo. Aos 19 anos já era fundador de uma família religiosa, que existe até hoje e que é composta de grandes apóstolos. O próprio rei da França, Luís XI pediu ao Papa que lhe enviasse o santo jovem em Paris para curá-lo de uma grave doença. São Francisco de Paula fez com que o rei aceitasse serenamente a morte, reconciliando-o com Deus. Passou a ser diretor espiritual do sucessor, Carlos VIII. Aos três votos de pobreza, castidade e obediência, juntou o quarto: o do jejum quaresmal, da Quarta-feira de cinzas até o Sábado que antecede a Ressurreição, alimentando-se apenas de pão, peixe, verdura e água. Quem vai à Itália e atravessa o estreito de Messina verá que uma de suas balsas traz o nome de São Francisco de Paula. É que a cinco séculos passados, ele, muito magro pelos jejuns pediu aos barqueiros que o transportassem para o outro lado da margem. Como todos se recusassem cada um alegando um motivo diferente, o nosso santo estendeu o seu velho manto sobre a água e velejou para o outro lado até o porto de Messina. São Francisco de Paula partiu para o Céu em uma sexta-feira santa, a 2 de abril de 1.507. Doze anos após sua morte, foi canonizado.

Diz Papa


Frutos de MariaQue o ódio e a mentira dêem lugar ao amor e à verdade
Diz Papa
Papa Francisco saudou nesta segunda-feira, 1º, dezenas de milhares de pessoas que encheram a Praça São Pedro para rezar com ele a oração mariana do Regina Coeli, característica do tempo pascal. Do balcão, Francisco cumprimentou a multidão dizendo ‘Bom dia e Boa Páscoa!’, agradeceu a todos pela presença e fez votos que a força da Ressurreição de Cristo chegue a todas as pessoas, especialmente as que sofrem, e a todas as situações mais carentes de confiança e esperança. 

“Cristo venceu o mal plena e definitivamente, mas é dever de nós, homens, acolher esta vitória em nossas vidas e realidades da história e da sociedade”. Com estas palavras, o Papa começou o seu breve discurso, reiterando que o Batismo e a Eucaristia devem se traduzir em atitudes, gestos e escolhas no nosso cotidiano. 

O Papa continuou dizendo que a graça contida nos Sacramentos pascais é uma força enorme para a existência, as famílias e os relacionamentos sociais, e é por isso que se deve deixar tocar por ela. Se cada um permitir, ela pode mudar “aquele nosso lado mau, que pode machucar a mim e aos outros”, destacou o Pontifice. 

“Sem a graça, nada podemos, mas com ela, podemos nos tornar um instrumento da misericórdia de Deus”. 

Terminando, Francisco reafirmou a importância de expressar na vida os sacramentos que recebemos: Batismo e Eucaristia. E pediu a intercessão de Maria para que “o Mistério Pascal aja profundamente em nós a fim de que o ódio deixe lugar ao amor, a mentira à verdade, a vingança ao perdão, e a tristeza à alegria”. 

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 1 de abril de 2013

kit da JMJ entrege ao papa Francisco


Assessor da Comissão para a Juventude 
Entrega kit  da JMJ ao papa Francisco
O assessor da Comissão para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, padre Carlos Sávio Ribeiro, teve um encontro com o Papa Francisco, no último dia 26 de março, no Vaticano. Na ocasião, padre Sávio entregou ao Papa um kit da Jornada Mundial da Juventude, contendo uma camisa e uma revista, produzida pelo grupo ‘Jovens Conectados’, ligado à CNBB, mostrando o trabalho que a Igreja Católica, no Brasil, realiza junto à juventude.
O padre disse ao Papa que será uma alegria recebê-lo, no mês de julho, no Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude. Ele conta que o Santo Padre manifestou alegria e disse: “Que bonito! Quero participar de tudo, com muita intensidade”. O Papa também adiantou que a revista o ajudará a entender o trabalho da Igreja junto à juventude, no Brasil. No final da conversa, o Papa abençoou o padre e disse: “Continue firme e nos veremos no Brasil”.
Para o padre Sávio, o encontro com o Papa significou renovação do compromisso sacerdotal e reforçou a opção de se dedicar ao trabalho com os jovens, no Brasil. “Participar da primeira Semana Santa do pontificado do Papa Francisco foi uma grande graça. As atitudes dele e o modo simples e atencioso para com as pessoas me comoveram bastante”, destaca.
Por CNBB

Oração a Santo Hugo de Grenoble

Oração a Santo Hugo de Grenoble
Santo Hugo de Grenoble, alcançai-me uma vida de contemplação, oração, escuta de Deus, trabalho e disciplina, a fim de que eu não desperdice meu tempo com coisas levianas e passageiras que comprometam minha salvação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Liturgia Diária


Primeira leitura (Atos dos Apóstolos 2,14.22-32)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

No dia de Pentecostes, 14Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22”Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 
25Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. 28Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria’.
29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’. 32Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas”. 

- Palavra do Senhor. 
- Graças a Deus.
 
Salmo (Salmos 15)
— Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! 
— Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! 

— Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor; Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! 
— Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo. 
— Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção. 
— Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!
 
Evangelho (Mateus 28,8-15)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.
10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 
15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje. 

- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor.
Fonte: Canção Nova

Santo Hugo de Grenoble

Santo Hugo de Grenoble
Nasceu em 1053 em Castelo Novo, na região do Isère, sudoeste da França e tornou-se membro do clero na diocese de Valence, onde foi nomeado cônego. Posteriormente, passou para a Arquidiocese de Lião, onde foi secretário do arcebispo. Foi nessa época que recebeu a primeira de uma série de missões que o tornariam célebre. Foi designado por seu superior para atuar como legado junto ao Papa Gregório VII. Este, por sua vez, reconhecendo nele méritos de inteligência, prudência e piedade, deu-lhe uma missão mais importante ainda: renovar a diocese de Grenoble. Região muito antiga, situada próximo aos Alpes, entre a Itália e a França, a diocese possuía uma vasta e importante biblioteca, rica em códigos e manuscritos antigos. A Região era muito extensa e possuía um grande número de habitantes, mas suas qualidades terminavam aí. Há tempos a diocese não tinha comando, a disciplina eclesiástica evaporara e até os bens da Igreja estavam depredados. Hugo começou o trabalho, mas eram tantas as resistências que renunciou ao cargo e retirou-se para um convento. Mas, sua vida de monge durou apenas dois anos. O Papa insistiu, o fez ver que era o mais capacitado para a espinhosa missão e Hugo retomou o cargo. Cinco décadas depois, num trabalho que lhe consumiu as forças, a diocese estava renovada e até já abrigava o primeiro mosteiro da Ordem dos Cartuxos. Santo Hugo não só deixou a comunidade organizada e eficiente, como ainda arranjou tempo e condições para apoiar São Bruno na fundação da ordem dos seus sonhos, apta a abrigar monges que buscavam uma vida austera, como reação ao mundanismo e egoísmo do século. Foram 52 anos de uma atuação que uniu o povo na fé. Ao sentir a morte se aproximar, Hugo tentou pedir exoneração do cargo, mas recebeu do Papa Honório uma resposta digna de sobreviver aos séculos: ele preferia o santo à frente da diocese, mesmo velho e doente, do que um jovem cheio de saúde, para o bem do seu povo. Santo Hugo morreu com 80 anos e logo após seu falecimento centenas de milagres lhe foram atribuídos. Dois anos depois já era venerado como santo e seu culto já se espalhava pela França.

Onde estão os grandes ideais?


Onde estão os grandes ideais?
Devemos ser construtores de uma nova sociedade, a civilização do amor

A fase em que nos encontramos, juventude, é, sem dúvida, marcada pelos grandes projetos e desafios, pelos desejos de construir um mundo diferente. Lançando um olhar sobre a História, encontramos vários momentos quando os jovens protagonizaram lutas e conquistas que marcaram época, décadas, a própria história – a tradição diz que a própria Virgem Maria deu o seu “sim”, que mudou o rumo da humanidade e dividiu a história ao meio, na plena flor da idade –. Não faz muito tempo, João Paulo II dizia: “A juventude de nosso tempo sente poderosamente a atração para as alturas, para as coisas árduas, para os grandes ideais” (Rio de Janeiro, 1980). 

Hoje, infelizmente, a realidade é um tanto diferente; preocupa-me a minha própria geração. Martela sempre em minha mente a pergunta: Onde estão os grandes ideais? Tenho a sensação de que o advento da tecnologia fez ruir a satisfação diante do que é árduo. Hoje, o que conta é a comodidade, o conforto e a lei do menor esforço. Em lugar de protagonistas, os jovens, e não apenas eles, assumem um papel de espectadores dos acontecimentos. 

A sociedade pós-moderna na qual vivemos tem como filosofia de vida o individualismo, vigora o “Cada um por si e Deus por todos”. Cada um pensa exclusivamente na própria felicidade, os outros que se “lixem”. Cada um busca apenas “o seu lugar ao sol”. 

Quando observo meus colegas na universidade, tenho a sensação de olhar seres anestesiados. A única coisa que lhes interessa é receber o certificado e fazer a festa de formatura. Não há empolgação por nada que não tenha a ver diretamente com isso. Parece que ninguém mais quer mudar o mundo, cada um quer mudar apenas o seu próprio mundo. Por vezes, não lhes interessa sequer mudar o próprio mundo, uma vez que não se mobilizam nem para conseguir benefícios para o curso ou para a comunidade estudantil, da qual fazem parte. 

Projetos que beneficiam os mais carentes, outrora comuns entre os estudantes universitários, hoje quase inexistem. Se alguém convida a fazer um trabalho de cunho social, ninguém – ou quase ninguém – adere. Parece que todos se esqueceram - ou sequer tomaram conhecimento - de que há entre nós – a humanidade inteira – um pacto ou laço da solidariedade universal (cf. Cat 344). Não é possível ser feliz sozinho. Como é possível ser completamente feliz enquanto há alguém passando fome, alguém que não sabe ler, que não tem trabalho, que não tem uma moradia digna, que não tem como cuidar da saúde? Somos todos irmãos, iguais, filhos do mesmo Pai. A dor do outro é minha, sua alegria, da mesma forma. 

Quisera eu arrancá-los da inércia, do torpor e tirar-lhes a venda dos olhos, mas muitas vezes até eu me pego engolfada nas minhas preocupações exclusivas comigo mesma. O problema não consiste em preocupar-se consigo, mas em preocupar-se exclusivamente consigo, como se fosse a única pessoa a habitar a Terra. Em meio às nossas ansiedades acerca do futuro, o Papa nos indica o caminho a seguir: “Jovens, muitos de vós estão desconcertados, inquietos, desamparados... Que futuro os espera? Que trabalho conseguireis? 

Quem poderia vencer os vícios da sociedade? Deus nos indica o que temos de lhe pedir primeiro: O Espírito Santo, seu Espírito que renova nosso espírito, nosso coração! Maria abriu-se ao Espírito Santo. O Poderoso fez nela maravilhas. Ele fará em nós grandes coisas!” (1983). E Continua: “Para mudar o mundo, é pedido a vocês que vivam de modo diferente. Não na superfície de vocês mesmos, às voltas com as múltiplas solicitações que vos propõe nossa sociedade de consumo, mas em profundidade. Procurem tempo para a oração, para a reflexão, para o silêncio, para nascer na verdade de vocês, numa relação verdadeira com Deus e com os outros” (Namur, 1985). 

Podemos, aliás devemos, fazer projetos pessoais, estabelecer objetivos e metas e procurar atingi-las. Mas não podemos ficar de braços cruzados, “sentados à sombra de um coqueiro” enquanto muitos sofrem. É nossa missão dar um contributo – através de orações e atos concretos – para que todo e cada homem seja feliz. 

Nós, jovens cristãos, não podemos deixar de nadar contra a corrente, temos um compromisso com Deus e com a humanidade. Devemos gritar que há algo mais do que cursos universitários, bons empregos, academias, festas ... tudo isso é bom, mas não basta. Devemos ser os construtores de uma nova sociedade, “a civilização do amor”. Precisamos sair de nós mesmos e irradiar coragem e entusiasmo, dando-nos, generosamente, a Deus e aos outros. 

Lutando para que aconteça aqui, entre nós, a justiça, a paz, a verdade, a honestidade, a caridade, o perdão... o amor! Não é à toa que Jesus nos deu uma regra de ouro: Devemos fazer aos outros aquilo que desejamos para nós (cf. Mt 7,12). Se queremos um mundo melhor, devemos construí-lo para os outros e com os outros. Precisamos mostrar ao mundo que existe uma outra forma de vida. Que existe algo maior do que ele, maior do que nós, maior do que tudo. 

Nossa responsabilidade não é pequena, segundo o Papa João Paulo II, nós, jovens, somos “testemunhas da eterna juventude de Deus” (Namur, 1985). O que Deus jovem sugere que façamos? Como Ele deseja que vivamos? Quais as atitudes, projetos e ideais que Ele nos inspira? Estejamos atentos e ... mãos à obra! 

As citações de João Paulo II foram retiradas de: Ange, Daniel. João Paulo II, Dom de Deus. Fortaleza: Shalom, 1997. 


Fonte: Revista Shalom Maná